Você decide começar a terapia, abre alguns perfis e encontra uma mistura de nomes, abordagens e especializações. Então vem a dúvida: como escolher um terapeuta que faça sentido para você?
Não é preciso virar especialista em saúde mental para dar esse passo. Porém, vale olhar além de uma apresentação bonita: confira a formação, entenda como o profissional trabalha e observe se existe espaço para construir uma relação de confiança. A Associação Americana de Psicologia destaca tanto a qualificação quanto o conforto na relação como pontos importantes nessa escolha.
Comece pelo que fez você procurar terapia
Antes de comparar profissionais, experimente se perguntar: “O que eu gostaria de cuidar neste momento?”
Talvez seja uma ansiedade que atrapalha o dia a dia, uma perda, dificuldades nos relacionamentos ou algo que você ainda não consegue explicar direito. Você não precisa chegar com um diagnóstico pronto: situações de estresse, mudanças e conflitos também podem motivar a busca por psicoterapia.
Por isso, anote o que conseguir perceber. Uma frase como “ando me sentindo sobrecarregado e não sei por onde começar” já pode abrir a conversa.
Confira a formação e a experiência do profissional
Ao encontrar alguém que se apresenta como terapeuta, pergunte qual é sua profissão, sua formação e o tipo de atendimento oferecido.
Para escolher um psicólogo, confira se ele tem registro ativo no Conselho Regional de Psicologia, o CRP. Essa consulta pode ser feita no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia, disponibilizado pelo Conselho Federal de Psicologia.
Além disso, pergunte sobre a experiência com questões semelhantes às suas. Conhecer a formação e a experiência do profissional com o público e a dificuldade atendidos está entre as recomendações do Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos, o NIMH.
Por exemplo: se você é uma pessoa autista, pode perguntar como o profissional considera necessidades de comunicação e adaptações no atendimento. Não fique apenas no “atendo esse público”: peça que ele explique como trabalha.
Entenda como funciona o atendimento
Você não precisa decorar nomes de abordagens terapêuticas. Entretanto, precisa ter informações suficientes para entender a proposta.
Uma pergunta simples ajuda bastante:
“Como você costuma trabalhar e por que esse tipo de atendimento pode ajudar com o que estou vivendo?”
Também vale perguntar como serão definidos os objetivos e de que maneira vocês acompanharão o progresso. O NIMH recomenda esclarecer a abordagem, as evidências que a sustentam e a avaliação dos resultados.
Se a resposta vier cheia de palavras difíceis, peça exemplos. Você está procurando cuidado, não fazendo uma prova sobre teorias da Psicologia.
Considere os valores, os horários e a modalidade
Além da proposta terapêutica, olhe para a sua realidade. Perguntar sobre o preço e sobre possibilidades de valores ajustados à renda faz parte da escolha, como orienta a Associação Americana de Psicologia.
Antes de começar, esclareça a duração e a frequência dos encontros, as formas de pagamento e as regras de cancelamento. Depois, calcule quanto isso representa no seu orçamento mensal.
Caso precise, pergunte se há disponibilidade de terapia a valor social, sem presumir que todos os profissionais ofereçam essa opção.
Quanto à modalidade, pense nas condições práticas: no atendimento online, você teria privacidade para conversar? No presencial, conseguiria manter os deslocamentos? Leve essas questões ao profissional para avaliar o formato com ele.
Observe como você se sente nas primeiras sessões
Durante os primeiros encontros, procure observar: você se sente ouvido? Suas dúvidas são recebidas com respeito? Existe abertura para dizer que não entendeu alguma coisa?
O conforto na relação importa. Ao mesmo tempo, falar sobre experiências dolorosas pode despertar sentimentos difíceis; portanto, uma sessão desconfortável não significa, por si só, que o atendimento não está funcionando.
Mas desconforto não deve servir de desculpa para desrespeito. Na Psicologia, discriminação e imposição de crenças religiosas contrariam as orientações éticas da profissão.
Da mesma forma, desconfie de promessas como “vou resolver todos os seus problemas em três sessões”. Psicólogos não podem divulgar previsões taxativas de resultados.
E se eu não me identificar com o terapeuta?
Você pode conversar sobre o que não está fazendo sentido, pedir esclarecimentos e discutir ajustes. Se o atendimento não estiver ajudando, também é possível avaliar outro profissional ou outra proposta de tratamento. Essa possibilidade aparece nas orientações do NIMH para quem busca cuidado em saúde mental.
Para iniciar essa conversa, experimente:
“Tenho sentido dificuldade com a forma como estamos trabalhando. Podemos conversar sobre isso e sobre o que eu preciso neste momento?”
Não encare a escolha como um compromisso de permanecer com a primeira pessoa que encontrar.
O cuidado precisa fazer sentido para você
No fim, escolher um terapeuta envolve reunir informações e conhecer a relação na prática. Use a formação, a experiência, a proposta de atendimento e suas condições de vida como critérios — não apenas a popularidade de um perfil.
Aqui no 100 Neura, a gente acredita em um cuidado que considere sua história, sua forma de sentir o mundo e seu momento financeiro.
Você não precisa saber explicar tudo para começar. Mas merece entender o atendimento que está escolhendo.
Referências e fontes consultadas
American Psychological Association (APA). How to choose a psychologist — Como escolher um psicólogo. Publicado em 2019. Orientações sobre formação profissional, relação de confiança, custos e perguntas que podem ajudar na escolha. https://www.apa.org
National Institute of Mental Health (NIMH). Psychotherapies — Psicoterapias. Revisado em fevereiro de 2024. Explica como funciona a psicoterapia e o que avaliar na experiência do profissional, na abordagem utilizada e no acompanhamento do progresso. Instituto Nacional de Saúde Mental
National Institute of Mental Health (NIMH). Help for Mental Illnesses — Ajuda para questões de saúde mental. Revisado em abril de 2026. Apresenta orientações para buscar atendimento e conversar sobre dificuldades no tratamento, incluindo a possibilidade de avaliar outro profissional ou outra proposta terapêutica. Instituto Nacional de Saúde Mental
Conselho Federal de Psicologia (CFP). Como saber se uma pessoa é psicóloga(o)? Explica como verificar o registro ativo de um profissional no Cadastro Nacional de Profissionais de Psicologia. Conselho Federal de Psicologia
Conselho Federal de Psicologia (CFP). CFP publica resolução sobre laicidade no exercício da Psicologia. Publicado em 10 de maio de 2023. Apresenta orientações sobre respeito às diferentes crenças, à diversidade e à singularidade das pessoas atendidas. Conselho Federal de Psicologia
Conselho Regional de Psicologia da 10ª Região (CRP-10). Publicidade profissional. Reúne orientações éticas para a divulgação de serviços psicológicos, incluindo a proibição de prometer resultados garantidos e de apresentar qualificações que o profissional não possui.